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Instituto Erling Lorentzen - Desenvolvimento Sustentável e Social

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GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS

A água é um recurso essencial para todas as formas de vida no planeta. Segundo World Resources Institute (ONU), atualmente, somente 0 007% de toda a água (água doce) disponível do mundo é própria para o consumo humano, e está em rios, lagos e pântanos. Sendo utilizada para necessidades cada vez mais crescentes de tratamento de esgoto, água potável, na indústria manufatureira, agricultura e esportes aquáticos.

Neste contexto viu-se a necessidade de fazer a Gestão dos Recursos Hídricos nas Fazendas Noruega, que é dividida em:

  • Captação;
  • Proteção de nascentes;
  • Reserva e infiltração de chuvas;
  • Tratamento biológico de esgotos domésticos;
  • Reuso para fins de produção vegetal de uso animal.

As Fazendas têm pouca água natural, com isso o trabalho de proteção, com florestas, das pequenas nascentes existentes, insuficientes no abastecimento de água, era indispensável para a existência de qualquer atividade agroecológica e social.

A proteção das nascentes e de suas respectivas APPs começaram há mais de 20 anos, determinando base de dados de importância estratégica para a recuperação ambiental e adequação ao Código Florestal.

São nove nascentes protegidas e trabalhadas, com as seguintes características:

  • Área plantada: 14,4 hectares (86%);
  • Área de restauração natural: 2,4 hectares (14%);
  • Área total: 16,8 hectares (168.000 m2). 

A individualização das áreas seguiu, no mínimo, as dimensões do Código Florestal com 50 metros de raio para as nascentes e 30 metros no curso d’água existente. Áreas muito próximas também eram incluídas, como no caso dos 14% de restauração natural.

No processo de formação das Fazendas Noruega as nascentes, todas com pequenas ou mínimas vazões, muitas vezes temporárias, foram protegidas por vegetação arbórea, permitindo o abrigo e desenvolvimento da fauna; que por sua vez, fez a dispersão de mais vegetação nativa.

Para iniciar o processo, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF) forneceu quase a totalidade das espécies utilizadas. Somente no momento da replanta, as falhas foram ocupadas com Liquidambar sp.; uma árvore exótica, apícola, ornamental e caducifólia que não consome água do solo durante o inverno seco. 

Os ganhos ambientais foram diferentes do incremento em volume de água esperado e, paradoxalmente, algumas nascentes chegaram a secar nestes primeiros anos; possivelmente drenadas para horizontes mais profundos ou naturalmente transpiradas pelas árvores. Assim, tornou-se indispensável o conhecimento de algumas práticas locais, onde os colonos mais antigos e seus descendentes plantavam principalmente “banana prata” ou “inhame rosa” nas nascentes e o “palmito doce” brotava espontaneamente neste ambiente de umidade, nutrientes e sombra.

Porém, mais que contribuir com o resgate da cultura local, entender a fisiologia da vegetação propagada e seu potencial agroecológico, procurava-se abranger a dinâmica das árvores com o solo, bem como suas relações sobre as nascentes, potencializar a biodiversidade e contribuir para o desenvolvimento sustentável rural.

As Fazendas Noruega também possuem lagos e cisternas que tem como objetivo captar, armazenar e manejar a água da chuva com capacidade para mais de 10.000.000 m³. A água destes lagos serve para fertirrigação do jardim e do telhado de grama, produção de mudas e irrigação da lavoura de café, banho e alimentação dos animais, e em caso de incêndio também pode ser utilizada.

 

              

 

O tratamento biológico de esgotos domésticos é feito por Fossa de Biodigestão e Filtro Biológico, impermeabilizados para evitar contaminar o lençol freático. Os dejetos que saem dos vasos sanitários passam por um processo de biodigestão e a água resultante vai para uma caixa de passagem, onde se junta às demais águas das pias, dos tanques e dos chuveiros. Estas seguem para o Filtro Biológico que é preenchido com camadas de bambu, carvão e areia de rio. Então são usadas plantas hidrófilas ornamentais e medicinais (fitoterapia veterinária), que aproveitam os nutrientes dos resíduos humanos.

 

       

 

A água residual, deste tratamento, livre de organismos perigosos (vermes e doenças), volta ao sistema produtivo e promove a fertirrigação de gramíneas, a produção de mudas, em especial da Palmeira Juçara e do Café Orgânico Heimen®.